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    Post rivalutazione del fascismo (NYT)

    Fonte: http://www.uol.com.br/times/nytimes/ult574u2077.shl
    Original: http://www.nytimes.com/2002/09/28/arts/28FASC.html

    Itália
    Italianos procuram visão mais gentil do fascismo

    Alexander Stille
    The New York Times
    Em Roma (Itália)

    Neste verão, o presidente do sistema de televisão italiano, RAI,
    discursou para o congresso nacional da Aliança Nacional, partido de direita liderado pelos chamados "pós-facistas". A autoridade, Antonio Baldassarre, anunciou que era época de "reescrever a história" -ou seja, como ela era apresentada pela televisão italiana.

    "A velha RAI representava apenas uma cultura e não todas", disse ele. "Freqüentemente, não contava a história verdadeira, mas fábulas, com interpretações parciais". Essa exortação, diante de um partido cujos líderes mais velhos foram jovens fascistas, teve um significado muito claro: chega de representar antifascistas como patriotas nobres e fascistas como criminosos do mal.

    A história, dizem os céticos, é escrita pelos vencedores. No final da Segunda Guerra Mundial, os antifascistas -que tinham sido mantidos fora da vida pública por 20 anos- puderam contar sua história e dar nome a ruas e praças. No entanto, com a volta da coalizão de centro-direita neste ano, cujo segundo maior partido é a Aliança Nacional, muitos da direita sentem que é chegada sua vez.

    Domenico Fisichella, professor de ciências políticas da Universidade de Roma e senador da Aliança Nacional, acredita que as mudanças políticas abriram novas possibilidades. "A direita desistiu do fascismo como modelo", disse ele. "Ao mesmo tempo, o debate historiográfico do período fascista tornou-se mais sereno, mais equilibrado". Fisichella propôs a formação da Aliança Nacional em 1994, a partir do partido neofascista chamado Movimento Social Italiano. Ele é um de muitos acadêmicos que fazem um julgamento mais diversificado da era fascista.

    "Claramente era um governo autoritário, mas não totalitário", disse em entrevista telefônica. "O fascismo cometeu sérios erros que levaram à tragédia que todos conhecemos", acrescentou, referindo-se à aliança com Hitler e à Segunda Guerra Mundial. "Mas também, aprovou uma grande quantidade de leis sociais e econômicas válidas, inovadoras para sua época e até copiadas, em parte, pelo New Deal, no final da Depressão. O evangelho da historiografia de esquerda não conseguiu fazer essas distinções e simplesmente juntou o fascismo ao nazismo".

    Um fim à demonização do fascismo pelos acadêmicos criou uma
    oportunidade para o antigo partido neofascista italiano passar da
    marginalização política ao centro. A liderança da Aliança Nacional
    aproveitou a oportunidade para fazer esforços para distanciar-se do fascismo. O líder do partido, Gianfranco Fini, criticou as leis
    raciais do fascismo e visitou Auschwitz e Israel. No início do ano,
    ele retirou publicamente uma declaração feita há 10 anos, na qual chamara Benito Mussolini de "o maior estadista do século 20".

    Além disso, Fini proclamou 25 de abril -data do fim da Segunda Guerra Mundial na Itália, em 1945- um dia para todos os italianos
    comemorarem a volta da liberdade e da democracia. Esta foi uma
    importante concessão: a maior parte dos líderes do antigo Movimento Social Italiano e muitos na mais nova Aliança Nacional tinham sido 'repubblichini'. Estes eram jovens voluntários na República de Saló, governo de fascistas radicais que combateu ao lado de Mussolini e Hitler depois que o governo oficial italiano mudou de lado.

    Os dois movimentos parecem contraditórios -os pós-fascistas adotando um tom mais crítico ao fascismo e os historiadores tratando-o com mais brandura- mas estão intimamente relacionados. A reabilitação da Aliança Nacional provavelmente não teria sido possível sem uma suavização gradual do retrato do fascismo, tanto na literatura acadêmica quanto na mídia popular. Se os líderes mais antigos da Aliança Nacional fossem considerados criminosos de guerra como os nazistas, teria sido impossível ocuparem posições no governo.
    Atualmente, no entanto, um ex-repubblichino, Mirko Tremaglia, ocupa até cargo de ministro.

    Uma visão menos favorável da era de Mussolini está prevalecendo, parcialmente por causa da necessidade política de integração dos ex-neofascistas. Por exemplo, o primeiro ministro Silvio Berlusconi, cujo partido, Forza Itália, lidera o governo, justifica sua parceria com a Aliança Nacional dizendo que se deve lembrar o que o fascismo teve de bom e de ruim. Poucos anos atrás, Francesco Rutelli, político de centro-esquerda que era prefeito de Roma, propôs batizar uma rua com o nome de Giuseppe Bottai, ministro da educação de Mussolini. A idéia foi abandonada depois que muitos protestaram, alegando que Bottai tinha executado com entusiasmo as leis raciais que expulsaram professores e alunos judeus do sistema escolar público italiano.

    Essa tendência é uma mudança marcada. Por grande parte do período de pós-guerra, o fascismo foi retratado como um regime criminoso, imposto por Mussolini e seus esquadrões de Camisas Pretas -um "parêntese" de 20 anos na história da Itália democrática, que começou com a independência em 1861. Esta opinião foi desafiada durante os anos 70, por acadêmicos como Fisichella. Ainda mais importante, no entanto, foi o trabalho de Renzo de Felice, historiador que dedicou mais de 30 anos a uma biografia de vários volumes de Mussolini e cujo trabalho dominou a historiografia italiana do fascismo até sua morte, há alguns anos.

    "Felice deu uma visão mais ampla e menos moralista do fascismo", disse Roberto Vivarelli, professor de história da Universidade de Florença. "Acho que ele demonstrou que o fascismo não foi estranho à história da Itália, não foi um parêntese".

    Felice insistiu que a demonização do fascismo não conseguiu explicar adequadamente sua subida ao poder em um dos principais países da Europa. Mussolini, argumentou o historiador, era popular e "consenso" da maior parte do país até a Segunda Guerra Mundial. Felice ressaltou as diferenças entre o fascismo italiano e o Socialismo Nacional Alemão. O fascismo, apesar de ser chamado de regime "totalitário", era uma ditadura mais branda, que retinha muito da burocracia liberal, que estava em paz com a Igreja Católica Romana e não compartilhava da obsessão de Hitler com o racismo e os judeus.
    (Mussolini, observou o historiador, adotou as leis raciais somente às vésperas da guerra, em grande parte para cimentar sua aliança com a Alemanha).

    Até mesmo historiadores com credenciais antifascistas impecáveis
    acham que a reavaliação do fascismo levou a uma história mais
    completa, menos doutrinária. Um deles foi Cláudio Pavone, ex-
    combatente da resistência e historiador. Ele irritou alguns
    antifascistas quando retratou a luta entre os partisans e
    repubblichini, no final da Segunda Guerra Mundial, como uma guerra civil, ao invés de uma guerra de libertação. Foi uma guerra que colocou italianos contra outros italianos, e dezenas de milhares de repubblichini foram voluntários por genuíno fervor patriótico, apesar de desagradável e enganado, argumentou.

    Mesmo assim, outros acham que Felice foi longe demais ao reabilitar o fascismo. Em recente coleção de ensaios debatendo os méritos do trabalho de Felice, Denis Mack Smith, historiador de Oxford, denuncia-o por minimizar o lado mais feio do fascismo, como a responsabilidade pessoal de Mussolini no assassinato de opositores políticos e por ter levado a Itália à ruína na Segunda Guerra Mundial.

    Nicola Tranfaglia, professor de história da Universidade de Turin,
    argumenta que Felice exagerou o apoio popular do Il Dulce. "Acho que é errado falar de um 'consenso' em uma ditadura", disse. Mussolini tinha certa popularidade, até adulação, mas nunca teve coragem de colocá-la à prova em eleições livres, disse Tranfaglia.

    Durante os anos 80, versões mais cruas e simplificadas da tese de Felice começaram a circular. Contrariamente à afirmativa de
    Baldassarre, de que a RAI contara apenas um lado da história do
    fascismo, a rede nacional de televisão usou Felice como consultor em muitos programas. A RAI também contratou uma série de seus acólitos menos refinados, para fazer em documentários. Alguns deles forneceram retratos admirados de líderes fascistas de pouco contexto histórico.

    De fato, em resposta às declarações de Baldassarre sobre a história de esquerda adotada pela rede, James Walston, professor de história da Universidade Americana em Roma, observou que a RAI tinha transmitido programas que se concentravam nos esforços corajosos de oficiais do exército italiano para salvar judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Alguns passavam um verniz nos efeitos das leis raciais de Mussolini e da colaboração da República de Saló com os
    nazistas na deportação de judeus.

    Uma versão romântica da Republica de Saló -como um movimento de nobres fiéis a uma causa perdida- e uma nova visão crítica da luta da esquerda já ingressaram na mídia popular, disse Massimo Salvadori, historiador da Universidade de Turin.

    "Houve um programa da RAI que retratou os repubblichini como
    moralmente coerentes, patriotas que se recusaram a mudar de lado, mesmo quando a derrota estava iminente, enquanto os partisans foram considerados vira-casacas oportunistas, que pularam para o trem dos vencedores", disse ele. A necessidade de reconhecer ex-repubblichini no governo como pessoas de boa fé, Salvadori diz, distorceu sua discussão histórica: "O que importa para mim, como historiador, não é boa fé, mas as conseqüências objetivas das ações das pessoas.
    Muitos soldados nazistas também tinham boa fé, acreditando que
    estavam servindo seu país, mas quais foram as conseqüências de suas ações? A Republica de Saló lutou ao lado de Hitler e, se tivessem vencido, teria significado ditadura na Itália e no resto da Europa. A conseqüência da luta dos partisans era restaurar a democracia e as liberdades civis na Itália. Portanto, objetivamente, acho que é possível dizer que uma estava correta e a outra errada".

    Curiosamente, em um período no qual tantos estão fazendo esforços para ser justos com o fascismo, ficou a cargo de um ex-fascista, Fini, líder da Aliança Nacional, declarar que a vitória antifascista que pôs fim à Segunda Guerra Mundial foi uma vitória para todos italianos.

  2. #2
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    nessun commento?!
    problemi col portoghese? ma si può reperire l'originale in inglese del NYT...
    La cosa interessante è che l'articolo rileva la diffusione ormai evidente di una notevole rivalutazione del fascismo nella coscienza popolare italiana. I giovani combattenti della RSI per esempio sono visti sempre più come eroi sfortunati, generosi combattenti per una causa perduta in partenza (anche se per molti, sbagliata), contrapposti a partigiani opportunisti, cinici, doppiogiochisti e voltagabbana.

 

 

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